Mais do que dar passagem quando alguém coloca uma seta, não bloquear cruzamentos, não avançar sinal, o carioca precisa aprender a andar na faixa da esquerda. Imagino como dever ser difícil para muitas pessoas compreender que não pertencem ao mundo dos velozes. É como ser sempre o reserva no time, o último a rir das piadas. Requer um espírito enormemente elevado reconhecer que você, simplesmente, é inferior. Os homens, principalmente, têm que aprender a diferenciar carro de masculinidade. O mundo sabe separar potência de carro de potência de outras coisas.
Mas não, o ego não permite tal reconhecimento. A pista da esquerda deveria ser a mais rápida, mas por causa dos infelizes que não tem autoconhecimento, ela se torma, muitas vezes a mais devagar.
Quantas vezes não piscamos o farol insistentemente e o desgraçado com membro sexual desfavorecido não se move, não sai da sua frente? Eu confesso que tenho pé bem pesado, gosto de correr. Mas raramente pisco farol, e nunca buzino. Explodo, xingo o mundo inteiro, mas minhas grosserias ficam reservadas aos quatro cantos dos meus vidros insufilmados. Confesso também que quando piscam pra mim posso ter duas atitudes, depende do meu humor. Uma é ir imediatamente para a direita, a outra é acelerar e fazer o sujeito se arrepender de ter piscado pra mim. Ora essa! Onde já se viu piscar farol pra Lara Rebibout?
Além dos meramente mal amados, que não dão passagem pelo puro prazer de semear discórdia, existem os que acham que vão ensinar alguma coisa, dar uma lição de moral no lugar mais inoportuno: o trânsito. São aqueles que com certeza pensam 'eu já estou a 80km/h, esse sujeito nem sequer tem o direito de piscar pra mim. Já estamos no limite permitido."
Meu senhor, se eu quiser ir a 100km/h o problema é meu! Dá pra você reconhecer a sua inferioridade e sair da minha frente?! Bibiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!